sábado, 17 de março de 2012

DO ÁLBUM DE FAMÍLIA [BISAVÔ MARIANO]

Mariano Moreira da Costa Pinto
(Sousel, São João Baptista da Ribeira, 31.10.1868 —
— Monforte, Vaiamonte, 26.04.1930)

Lavrador, Proprietário e Político.

Mariano Moreira da Costa Pinto, filho de Joaquim Pereira da Costa Pinto e de D. Leonor do Carmo Moreira, nasceu na bonita e exemplar Herdade da Revenduda, situada na actualmente extinta freguesia de São João Baptista da Ribeira do concelho de Sousel, propriedade de seu Pai.

No Baptismo tem como Padrinho o tio paterno Francisco da Costa Ramos Pinto da Fonseca, grande lavrador e proprietário em Fronteira, e como Madrinha a tia materna D. Maria da Orada Moreira, proprietária em Sousel. Recebe o nome próprio do seu tio-materno Mariano Rodrigues Moreira, grande lavrador e proprietário em Sousel.

Descendente de famílias tradicionais, ligadas à Igreja e à Coroa, que serviram a Pátria através das armas, das leis, das letras, das artes e das ciências: Magalhães (sua varonia), do Minho, Pintos da Fonseca, Moreiras e Costas Ramos, da Beira, por via paterna; Moreiras de Carvalho, Cordeiros Vinagres e Barreiros Godinhos, do Alentejo, por via materna.

Após seu Pai, em 1891, e sua Mãe, em 1892, terem morrido, a sua vida vai mudar. Assim:

Casa I em Monforte, Vaiamonte, Igreja Paroquial de Santo António, aos 08.10.1893, com D. Rosalina Maria [que usou Rosalina da Conceição Monteiro Costa Pinto, quatro apelidos provenientes dos seus dois maridos], nascida em Monforte, Vaiamonte, aos 09.10.1848, falecida em Monforte, Vaiamonte, Herdade da Torre de Palma, aos 22.12.1899 (viúva sem geração de Joaquim Anastácio Monteiro, nascido em Monforte, Vaiamonte, aos 10.09.1822, falecido em Portalegre, Sé, aos 14.03.1891, Lavrador, Rendeiro da Herdade da Torre de Palma, filho de Anastácio da Conceição Monteiro [também conhecido por Anastácio Monteiro da Conceição], nascido em Pinhel, Alverca, Lavrador, e de sua Mulher D. Maria Josefa, nascida em Monforte, Vaiamonte), filha de Joaquim António, nascido em Alter do Chão, Seda, aos, falecido em aos, Lavrador, e de sua Mulher D. Margarida do Mileu, nascida em Estremoz, Veiros, aos, falecida em aos. Neste seu 1.º casamento teve como testemunhas José Alfredo Menice Sardinha e Joaquim António de Calça e Pina. Não houve descendência deste casamento.

Casa II em Monforte, Vaiamonte, Igreja Paroquial de Santo António, aos 02.04.1900, com D. Catarina Rosa Firmino, nascida em Sousel, Sousel, aos 19.06.1872, falecida em Monforte, Vaiamonte, aos 09.11.1941, filha de António Firmino, nascido em Sousel, Sousel, aos 15.02.1834, falecido em Sousel, Sousel, aos 28.08.1908, foi o primeiro a usar o apelido Firmino nesta Família de Sousel, Proprietário, e de sua Mulher D. Mariana Celestina, nascida em Sousel, Sousel, aos 10.12.1841, falecida cerca de 1912 (bisneta por via paterna-paterna de Manuel Mendes Bagorro, nascido em Elvas, Vila Boim, aos 14.06.1741, falecido em Elvas, Terrugem, aos 05.06.1819, Juiz, Tabelião e Professor Régio de Primeiras Letras em Vila Boim). Neste seu 2.º casamento teve como testemunhas Francisco Augusto da Costa Falcão, Proprietário da Herdade da Torre de Palma, e Carlos Moreira da Costa Pinto (seu irmão).

Estabeleceu-se assim definitivamente, como morador e lavrador, na Herdade da Torre de Palma, em Vaiamonte, concelho de Monforte, a qual arrendou.

E, enquanto seu irmão mais novo, Carlos Moreira da Costa Pinto, se iniciava, como proprietário e lavrador, na Herdade da Revenduda, onde ambos nasceram e cresceram, Mariano logo adoptou de corpo e alma a sua terra de adopção, Torre de Palma, feita terra do seu coração.

Fruto do seu trabalho, como activo agricultor, adquiriu uma série de herdades: Samarruda, Nora, Palhinha, Gis, Picão, Vale dos Homens, Tapadão de Alter, Esquerdos, Relvácho, Asseca, Pintas, Torradas, Sernila e Matança. Estas terras estavam, na sua maioria, quando as comprou, cobertas por densos e extensos matagais. Empreendedor, mandou arrotear esses milhares de hectares considerados por outros indivíduos como improdutivos.

De seguida, transformou as referidas herdades em belos solos de semeadura, montados de sobro e azinho, olivais, etc. Isto fez dele, até hoje, um dos lavradores do Distrito de Portalegre que maior quantidade de território mandou limpar, plantar e semear.

Estava assim erguida, a partir da arrendada sede da lavoura, na belíssima e histórica Herdade de Torre de Palma, onde sempre continuou a residir, onde lhe nasceram todos os seus sete filhos de sua querida mulher D. Catarina Rosa Firmino e onde viria a morrer, uma Casa Agrícola que ainda hoje pode e deve ser uma referência de estudo para os agora chamados empresários dos ramos de produção agrícola e animal (cabe aqui referir que foi igualmente um grande criador de diversos tipos de gado, onde se incluía uma Caudelaria).

Faz assim parte daquela geração de homens que contribuíram, através de uma agricultura moderna e dinâmica, para transformar o Alto Alentejo numa produtiva e rica Província de Portugal.

Rematando esta breve resenha biográfica, acrescentarei apenas que Mariano Moreira da Costa Pinto foi um proprietário alentejano com um profundo sentido social, que se traduzia na benemérita ajuda aos mais desfavorecidos, e que ainda teve tempo e energia para cultivar o espírito, com igual paixão com que cultivava a terra, lavrador culto que era.

Alma inconformada e irrequieta, usou também a sua influência, de importante figura a nível regional, para — através da acção política, que aliás viu sempre e só no nobre sentido de serviço público — beneficiar o seu amado Alentejo. Por conseguinte, não obstante ser neto de um miguelista — Carlos da Costa Pinto da Fonseca —, e descendente de tradicionais famílias católicas e monárquicas, optou por servir a Pátria no republicanismo.

Em sua Memória foi dado o nome «Mariano Moreira Costa Pinto» a uma Rua em Monforte e a um Largo em Vaiamonte. O referido Largo encontra-se ajardinado e tem ao centro um Busto de Bronze representando o Homenageado.

- Proprietário das Herdades de Samarruda, Nora, Courelas de Valverde (as duas últimas anexas à primeira), Palhinha, Gis, Picão, Vale dos Homens, Tapadão de Alter, Esquerdos, Relvacho, Asseca, Pintas, Torradas, Sernila e Matança.
- Rendeiro da Herdade de Torre de Palma.
- Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Monforte.
- Presidente da Junta de Paróquia de Vaiamonte.
- Juiz de Paz de Vaiamonte.
- Membro do Partido Republicano Português.
- Presidente do Triângulo n.º 169 da Maçonaria de Rito Francês (iniciado em 14.05.1911 no referido Triângulo de Monforte com o nome simbólico de «Alma»).

Bibliografia e Arquivos:
- Raças Cavalares da Península e Marcas a Ferro que Usam nas suas Caudelarias os Criadores e Produtores Portugueses e Espanhóis, Domingos Augusto Alves da Costa Oliveira, Tipografia Belenense, Lisboa, 1905.
- Colecção Oficial de Legislação Portuguesa, Imprensa Nacional, 1915.
- Álbum Alentejano, Pedro Muralha, Imprensa Beleza, Lisboa, 1931.
- Motivos Alentejanos, João Ribeirinho Leal, Edição do Autor, 1982.
- Nobiliário das Famílias de Portugal, Felgueiras Gaio, Carvalhos de Basto, Braga, 1989 (2.ª edição).
- Teófilo Júnior: Vida e Obra, António Ventura, Câmara Municipal de Arronches, Arronches, 1991.
- Família e Poder no Alentejo (Elites de Avis: 1886 – 1941), Maria Antónia Pires de Almeida, Edições Colibri, Lisboa, 1997.
- Costados Alentejanos, António Pestana de Vasconcellos, Edição do Autor, Évora, 1999.
- Costados Alentejanos II, António Pestana de Vasconcellos, Edição do Autor, Évora, 2005.
- A Maçonaria no Distrito de Portalegre (1903-1935), António Ventura, Caleidoscópio-Edição e Artes Gráficas, SA, Portugal, 2007.
- Revista Vida Alentejana.
- Jornal A Plebe, n.º 826, 6 de Agosto de 1911.
- Arquivo Distrital de Évora.
. Arquivo Distrital de Portalegre.
- Arquivo-Museu da Diocese de Lamego.
- Arquivo Particular de João Miguel Costa Pinto Marchante (Autor do blogue Eternas Saudades do Futuro e desta breve resenha biográfica sobre Mariano Moreira da Costa Pinto).